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Treino de memória de trabalho na velhice e no envelhecimento

data17 de agosto de 2018
autorSenior Saúde

Por Thais Bento Lima da Silva*

 

O treino cognitivo representa uma intervenção que inclui um processo ativo de educação e a prática com tarefas cognitivas, buscando otimizar as habilidades cognitivas. Esses treinos diferem em relação à duração, estratégias, objetivos e métodos empregados; resultando em uma vasta gama de efeitos. Entretanto, no geral são conduzidos em três etapas: avaliação pré-intervenção, intervenção e avaliação pós-intervenção. Idealmente, o grupo treinado deve ser comparado a um grupo que somente completa as avaliações.

Ainda que estudos mostrem que o envelhecimento acarreta mudanças no desempenho das habilidades mentais, pesquisas apontam que as intervenções cognitivas, como os exercícios de ginástica cerebral podem gerar um aumento no desempenho e na manutenção de habilidades cognitivas em idosos saudáveis, também podem se associar à preservação funcional.

Os treinos de memória têm apresentado resultados positivos, como o maior uso de estratégias de memória e melhoria no desempenho da memorização recente, com a otimização das atividades que envolvam as funções executivas e na realização de tarefas do cotidiano, reduzindo possíveis dificuldades associadas ao processo de envelhecimento.

Estudos recentes têm investigado o impacto do treino de memória de trabalho e seus efeitos de transferência sobre outras habilidades cognitivas. Por exemplo, no Brasil no estudo de Netto realizado em 2013, ofereceu-se o treino da memória de trabalho com doze sessões semanais para 20 idosos e encontraram benefícios no processamento deste tipo de memória (na região da alça fonológica e no retentor episódico), no desempenho de atenção e na melhoria das funções executivas, quando comparado ao grupo não treinado. Na Itália, Borella no ano de 2010 demonstrou a eficácia do treino de memória de trabalho para a velocidade de processamento, inibição, habilidades visuo-espaciais, memória de curto prazo e raciocínio. Evidências de manutenção do ganho nas habilidades treinadas e no efeito de transferência foram encontradas para a velocidade de processamento no grupo treinado, mesmo após 08 meses da participação no programa de treino.

Em um estudo americano realizado na Filadélfia, em um programa de treino de memória de trabalho para 21 idosos, buscou-se investigar os efeitos de transferência em outras funções cognitivas e também no desempenho da memória de trabalho. O treino foi realizado em cinco dias na semana por quatro semanas, sendo 30 minutos por sessão. As sessões continham exercícios de memória de trabalho verbal e espacial. Os resultados demonstraram melhora para o funcionamento da memória de trabalho, bem como para a velocidade de processamento, span de dígitos e aprendizagem por repetição. Desta forma, é possível notar que o treino de memória de trabalho é capaz de gerar impactos positivos tanto para o desempenho da própria memória de trabalho quanto para outras habilidades cognitivas não treinadas, que recebem o efeito de transferência. Por isso a dica de hoje é treine sua memória de trabalho, se necessário procure um profissional que trabalhe com estimulação cognitiva e saiba como.

 

*Mestra e Doutora em Neurologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Coordenadora do Grupo de Apoio da ABRAZ Santa Cruz (Unidade colégio Marista Arquidiocesano, SP/SP). Conselheira executiva da Associação Brasileira de Gerontologia gestão 2017-2019.

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